Você sempre ouviu que colesterol alto é o vilão de todos os exames de sangue, e que as estatinas — sinvastatina, rosuvastatina e atorvastatina — são os principais remédios recomendados para acabar com isso.
Saiba, porém, que se você já utiliza medicamentos para baixar o colesterol e se sente cansado, vive com câimbras, se irrita por qualquer coisa, dorme mal, sente dores no corpo e está com a memória péssima, tais sintomas podem ser efeito colateral do remédio que está tomando.
Apesar de as estatinas serem indicadas para reduzir o risco de morte cardiovascular nos próximos 10 anos, é importante conhecer também os efeitos colaterais já descritos. Além disso, com a nossa longevidade, nenhuma evidência científica é capaz de garantir a segurança do uso de medicamentos para o resto da vida. No decorrer de 20, 30 anos, fica impossível excluir a relação entre novas doenças e o uso prolongado de substâncias artificiais que sequer existiam há pouco mais de 50 anos.
Enquanto isso, em qual parte das estatísticas você quer estar?
Neste artigo eu vou te dar as informações necessárias para que você tenha mais autonomia para assumir responsabilidade pelas suas escolhas e descubra que o conhecimento necessário para estender seu tempo de saúde está ao seu alcance.
Não é meu objetivo que você pare de tomar seu remédio. Quero compartilhar a minha opinião franca sobre este medicamento, embasada em evidências científicas, para servir de gatilho para que você pesquise mais sobre o tema e evolua seu estilo de vida. Sempre converse com seu médico para assegurar que o que você aprendeu está correto e está te mantendo saudável.
Quais os efeitos colaterais das estatinas?
Eu frequentemente ouço pacientes dizerem que não leem a bula dos medicamentos para não se assustarem. Até entendo essa atitude, contudo a bula é nada menos que o contrato de que você está ciente dos riscos que corre ao iniciar um remédio. Na Clínica de Longevidade, queremos que as pessoas sejam responsáveis pela sua saúde, e ler a bula faz parte disso.
Obviamente, se um médico lhe prescreve uma droga, esta conduta segue um princípio ético da medicina: Primum non nocere — antes de tudo, não ferir. Ou seja, um tratamento só se justifica se seus benefícios superarem os riscos e efeitos colaterais.
Mas você sabe quais são os efeitos colaterais da sinvastatina documentados em estudos científicos?
- Fadiga
- Neuropatia periférica — formigamento e dor em mãos e pés
- Disfunção sexual e impotência
- Ginecomastia — aumento das mamas no homem
- Disfunção da tireoide
- Disfunção renal — piora da ureia e creatinina
- Irritabilidade
- Alteração de humor
- Danos musculares e dores musculares
- Déficit de memória
- Danos hepáticos — aumento de TGO e TGP
- Hiperglicemia, e até diabetes
- Piora do sono
- AVC hemorrágico
- Câncer
Note que alguns desses sintomas são tão graves ou debilitantes quanto o infarto ou o AVC isquêmico, doenças que tais medicamentos se propõem a prevenir. Se você toma estatina e não sente nada, ótimo — sinal de que seu corpo tem uma excelente capacidade adaptativa. Contudo, se notou uma piora da sua qualidade de vida, será que há algo mais que pode fazer a respeito?
Sim, sempre há formas de melhorar a qualidade de vida, mesmo em uso de sinvastatina ou rosuvastatina. Mas antes você precisará aprender mais sobre os mecanismos de funcionamento do corpo. Hoje, vai aprender mais sobre o colesterol.
Entenda o verdadeiro papel do colesterol
Em primeiro lugar, o colesterol não é a causa de doenças, mas um biomarcador que indica maior probabilidade de doenças já existirem ou acontecerem. Ele é um mensageiro que avisa sobre o risco de morte por infarto do miocárdio ou AVC.
O colesterol alto vai apontar que seu corpo está perdendo uma batalha inflamatória interna. Essa batalha se dá nos vasos sanguíneos: artérias e veias. Você já deve ter visto uma pele inflamada — logo após um corte, a pele ferida fica inchada, dolorosa, vermelha. Com o tempo, a cicatrização se dá naturalmente e uma pele nova surge, deixando uma cicatriz.
No interior dos vasos acontece o mesmo. Se o seu estilo de vida segue um padrão de origem de doenças, você vai provocar uma inflamação crônica no sistema de circulação e no corpo todo, porque o sangue distribui nutrientes e oxigênio por todos os tecidos.
O colesterol LDL, chamado de colesterol ruim, está ali para auxiliar na regeneração da parede dos vasos sanguíneos. Só que, como você faz todos os dias a mesma coisa que inflama, não dá tempo de cicatrizar — e se você continua a machucar suas artérias, o LDL aumenta para tentar fazer os reparos internos. Não tendo sucesso nessa obra, infartos e AVCs acontecem.
E por que o colesterol HDL tem fama de bom? Porque ele leva o colesterol que está "sobrando" no corpo para ser metabolizado no fígado, um sinal de que a inflamação está diminuindo e que menos colesterol circulando é necessário. Por isso, quando o HDL sobe, é um bom sinal.
Por que então dizem que o colesterol alto faz mal?
Como ele tem a importante função de regenerar vasos sanguíneos, produzir células, hormônios sexuais e vitamina D, ele vai ficar alto sempre que algo sair do padrão.
Dessa forma, por exemplo, ele vai subir nas mulheres após a menopausa, pois os hormônios sexuais deixaram de ser produzidos em grande quantidade, "sobrando" colesterol no sangue.
Quem usa anabolizante também tem o colesterol aumentado, porque o corpo deixa de produzir testosterona naturalmente. E se você quase não pega sol, pode ter colesterol alto também — ele é ingrediente para produzir vitamina D, então, sem sol suficiente, vai sobrar colesterol pelo corpo.
É como se ele "andasse em má companhia", mas no caso ele está sendo bom para nós, indicando que nós é que estamos nos desviando da saúde por alguma razão. Basta descobrir a causa e evoluir o estilo de vida.
De acordo com o autor do livro The Cholesterol Myths, o médico dinamarquês Uffe Ravnskov, nascido em 1934, a má fama tem ano certo de nascimento: começa em 1962.
O fato é que estes estudos caíram na boca do povo e no gosto da indústria farmacêutica. Hoje a maioria das pessoas entende que o colesterol bom é o HDL e que o LDL é ruim — e assim as estatinas foram eleitas salvadoras de vida e transformadas nos remédios mais vendidos do planeta.
Quem começa a tomar sinvastatina, rosuvastatina ou atorvastatina recebe quase sempre do médico a orientação de que terá que tomar para o resto da vida.
Por que os médicos prescrevem rosuvastatina e sinvastatina?
Remédios desse tipo foram desenvolvidos no início da década de 1980. A sinvastatina é uma das mais antigas drogas capazes de reduzir o colesterol alto e a mais famosa das estatinas, tecnicamente classificadas como inibidores da HMG-CoA redutase.
A HMG-CoA redutase é uma enzima presente na última etapa das reações químicas que produzem o colesterol naturalmente no corpo. Assim, a estatina é uma molécula que inibe uma reação química que ocorreria naturalmente.
Se fizermos uma analogia com um relógio fica mais fácil de entender. Em suas engrenagens, cada peça deve funcionar perfeitamente para que mostre a hora correta. Na reação bioquímica é a mesma coisa: se um reagente estiver em excesso, mais colesterol será produzido. A ação da estatina é semelhante ao ato de emperrar as engrenagens do relógio, e assim o colesterol não é mais formado.
Mas por que os médicos prescrevem estatinas? Não é muito difícil encontrar pessoas com colesterol alto. Em 2002, a Sociedade Brasileira de Cardiologia alertou que 4 em cada 10 brasileiros sofriam deste problema. De lá para cá, duvido que algo tenha mudado.
No Brasil, a orientação para a prescrição de medicamentos que reduzem colesterol e triglicerídeos, bem como as dosagens ideais destes biomarcadores, é regida pela Diretriz Brasileira de prevenção de dislipidemias e aterosclerose, da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
A diretriz orienta de acordo com o risco calculado de uma pessoa ter um evento cardiovascular nos próximos 10 anos. Portanto, é um cálculo estatístico: por exemplo, uma pessoa de risco alto tem mais de 20% de chance de ter um infarto ou AVC nos próximos 10 anos.
O risco cardiovascular é uma das informações que o médico, geralmente o cardiologista, deve considerar para prescrever medicamentos. Se você quer saber o seu, a Calculadora para Estratificação do Risco Cardiovascular vai te ajudar. De acordo com a sua classificação de risco, você terá metas diferentes para colesterol e triglicerídeos, conforme a tabela abaixo.
Resumindo: a decisão de tomar ou não estatinas é baseada em dados estatísticos de estudos com alto nível de evidência, que identificam fatores de risco para maior chance de um evento cardiovascular. É uma previsão do futuro. E o protocolo indica que, se o seu risco é alto, ou se você já teve um infarto ou AVC, deve continuar a tomar a estatina para o resto da vida.
Você pode optar por tomar essa "pílula milagrosa" que te previne de doenças. Eu, entretanto, acho que evitar uma doença futura com sintomas que comprometem a sua vida presente talvez não seja a melhor das soluções — é disfarce da situação.
Se você decide parar seu remédio agora mesmo, sem modificar nada mais, a única certeza que tenho é que você tem mais chance de ter um infarto ou AVC do que se estivesse usando a estatina. Por isso médicos prescrevem estatinas. A decisão e o risco permanecem sendo seus, e dependerão de como está a sua qualidade de vida em uso do medicamento.
Sabemos também que há uma esperança: a evolução do seu estilo de vida vai melhorar a sua capacidade de se adaptar, reduzindo efeitos colaterais de medicamentos e aumentando o seu bem-estar.
E aí vem o grande dilema: você sobrevive com o uso da droga pelos próximos 10 anos, mas quais serão os efeitos colaterais no seu corpo com o uso desse medicamento por 20 ou 30 anos? Não temos evidências científicas, e os resultados em pessoas que estão tomando essas drogas há tempos não estão sendo monitorados. Quanto mais o tempo passa, menos essa balança entre efeito colateral e efeito desejado pode ser mensurada. Em algum momento no futuro será importante questionar se ainda vale a pena manter o remédio.
Onde isso se encaixa na árvore do Método Revitalize
O colesterol alto é um fruto, não a raiz. Tratar só o número é podar a folha e deixar intacto o terreno biológico inflamado que fez o número subir.
Conheça a árvore completa do Método Revitalize →4 metas a conquistar antes de parar a sinvastatina ou a rosuvastatina
Aqui está o plano da Clínica de Longevidade sobre as metas que você deve alcançar antes de pensar em parar de tomar a rosuvastatina, a sinvastatina ou qualquer outro medicamento para reduzir colesterol:
Qual o primeiro passo?
Muito provavelmente você já ouviu dizer que uma dieta rica em frutas, verduras e legumes evita o aumento do colesterol, e seu médico já te pediu para praticar exercícios físicos, parar de fumar, reduzir carboidratos e evitar o estresse. Isso não é novidade. Será que você está fazendo direito?
- Inicie sua evolução alimentar pela dieta alcalina. Quando a quantidade de vegetais for suficiente, o pH da sua urina vai subir para acima de 6,5 — esse é o primeiro sinal de que você está no caminho certo para a longevidade.
- Quando tiver condições, faça um check-up com seu cardiologista ou clínico, para descobrir se não há mais alguma doença.
- Garanta uma dosagem de colesterol com menos de 3 meses, para usar como parâmetro do seu progresso.
Apenas com conhecimento, disciplina e inteligência nossas escolhas individualizadas serão mais seguras que os protocolos baseados em estatísticas.
Como podemos te ajudar a diminuir seu colesterol de forma natural e sem estatinas?
Neste momento você deve estar pensando: como vou conquistar as metas descritas acima? No meu caso, realmente preciso da estatina? Que suplementos ou vitaminas podem ajudar?
São tantas perguntas, e não há uma resposta geral para todas elas. Por isso é importante uma avaliação personalizada.
Quer saber se, no seu caso, há caminho além do medicamento?
O primeiro passo é entender o que está inflamando o seu terreno biológico — e o que os seus números realmente estão dizendo.
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