Lista de disruptores endócrinos

Os Disruptores Endocrinos são definidos pela Endocrine Society como: “substância química exógena [não-natural], ou mistura de substâncias químicas, que interferem com qualquer aspecto da ação hormonal.”

Ou seja, são moléculas inventadas pelo homem no avanço tecnológico que iniciou-se no último século,

são toneladas de substâncias sintéticas produzidas industrialmente e que ao longo de todos esses anos foram e ainda são adicionadas nas nossas comidas, cosméticos e também nas nossas terras, rios e mares, sem o conhecimento do real impacto ambiental e na saúde que essa atitude poderia causar.

Os produtos químico interferentes endócrinos, tais como os bifenilos policlorados (PCB), BPA e ftalatos, são agora detectáveis no sangue, na gordura e no cordão umbilical de seres humanos em qualquer parte do mundo e a ciência atual desconfia, (porque é bem difícil dar certeza absoluta) que Interferentes endócrinos estejam relacionados com diversos fenômenos que vem impactantando a saúde humana, desde parto prematuro à obesidade. 

Figura 1. Diagrama das principais glândulas endócrinas no corpo humano, ilustradas na mulher (à esquerda) e no homem (à direita).

Nos últimos 20 anos observamos um aumento da incidência de doenças endócrinas pediátricas, puberdade feminina precoce, leucemia, câncer cerebral e distúrbios neurocomportamentais como os transtornos de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e Transtorno do Espectro do Autismo (ASD).

O conceito de “melhor estilo de vida através de produtos químicos” foi introduzido pela indústria química nos anos 1930s. Esta noção persuasiva está associada ao crescimento global da produção de produtos químicos.

Eu, como Clínica de Longevidade, espero fortemente que uma nova ordem mundial seja estabelecida onde o melhor estilo de vida seja o mais natural e sustentável possível.

Se você quer aprofundar nas interações dos disruptores endócrinos e a saúde, a INTRODUÇÃO AOS DISRUPTORES ENDÓCRINOS (DEs): UM GUIA PARA GOVERNOS E ORGANIZAÇÕES DE INTERESSE PÚBLICO, uma inciativa em conjunto da Endocrine society-IPEN, para a conscientização dos disruptores endócrinos é um PDF de 80 páginas.

Eu resumi neste artigo as informações que considerei mais relevante para a vida prática, ou seja, aonde estão e quais são essas substâncias, para assim tentarmos evitá-las! Ah, claro, também inclui minha opinião e pesquisa de outras fontes.

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Lista dos disruptores endócrinos

Então para ser um interferente endócrino, precisa interferir em qualquer aspecto da ação hormonal. 

Existem no planeta mais de 85.000 substâncias químicas produzidas, das quais milhares podem ser classificadas como disruptores endócrinos e só o tempo e a adoecimento da população vai dizer.

 Assim, a tabela abaixo indica a lista de algumas dessas classes de substâncias.

Como entramos em contato com essas substâncias?

Pessoas e animais entram em contato com os disruptores endócrinos de várias formas (Tabela 3), incluindo consumo de alimentos e água, através da pele, por inalação e pela transferência da mãe para o feto (através da placenta) ou da mãe para o bebê (através da lactação), se a mulher tiver algum disruptor endócrino no seu corpo.

Quando os seres humanos são testados para a comprovação da presença de DEs no sangue, na gordura, na urina e em outros tecidos, os resultados demonstram, consistentemente, uma variedade de DEs em todos os indivíduos, e isso ocorre em nível mundial.

Como estamos expostos aos DEs?

  • Consumo oral de água ou de alimentos contaminados
  • Contato com a pele e/ou por inalação
  • Contato com a pele e/ou por inalação
  • Intravenoso
  • Aplicação à pele
  • Transferência biológica da placenta
  • Transferência biológica do leite materno

A exposição aos DEs também pode ocorrer sob forma de pesticidas, algicidas e de outros químicos concebidos para matar os organismos indesejados. A pulverização de casas, de culturas agrícolas e de lagos, libera substâncias químicas atmosféricas e sedimentadas que são inaladas, penetram na pele e são ingeridas em alimentos pulverizados. Não é surpreendente que algumas destas substâncias químicas sejam DEs

De onde vêm os DEs?

  • Resíduos ou pesticidas indus- triais que contaminam o solo ou as águas subterrâneas
  • Percolação de substâncias químicas a partir de recipien- tes de alimentos ou de bebi- das; resíduos de pesticidas em alimentos ou bebidas
  • Mobiliário caseiro tratado com retardadores de chamas
    Pesticidas utilizados na agricultura, residências, ou para o controlo de vetores de doenças públicas
  • Tubulação intravenosa
    Alguns cosméticos, produtos de higiene pessoal, anti-bac- terianos, protetores solares, medicamentos
  • Carga corporal materna devido às exposições prévias/ atuais
  • Carga corporal materna devido às exposições prévias/ atuais

Exemplo(s) de DEs

  • PCB, dioxinas, compostos perfluorados, DDT
  • BPA, ftalatos, clorpirifós, DDT
  • BFRs
  • DDT, clorpirifós, vinclozolina, piretroides
  • Ftalatos
  • Ftalatos, Triclosan, parabenos, repelente de insetos
  • Vários DEs podem atravessar a placenta
  • Vários DEs são detectados no leite

Abreviaturas: BFR: Retardador de Chama Bromado; BPA: Bisfenol A; PCBs: Bifenilpoliclorados

Acredita-se que as substâncias químicas referidas como “obesogênicos” aumentem o ganho de peso, alterando ou reprogramando partes-chave do sistema endócrino que controlam o metabolismo, o equilíbrio energético e o apetite, resultando em obesidade e suas consequências adversas saúde.

Alerta para substâncias químicas presentes nos cosméticos:

A indústria de cosmético brasileira Natura, tem uma lista de substâncias químicas que estão em alerta pelos potenciais riscos à saúde. O que vai ajudar na escolha do cosmético.

Banido: ausente no portfólio da Natura.

Bloqueado: não utilizado para novos desenvolvimentos.

Restrito: com uso restrito dependendo da categoria e do modo de uso.

Hot list: preferencialmente não utilizado para novos desenvolvimentos.

A seguir, as lista dos ingredientes controlados.

14 ingredientes banidos
  • Formaldehydes
  • 5-Bromo-5-Nitro-1,3-Dioxane
  • Bronopol
  • Parabens
  • Diazolidinyl Urea
  • Dimethyl Oxazolidine
  • Glutaral
  • Methyldibromo Glutaronitrile
  • Phenylmercury
  • Triclosan
  • Quaternium-15
  • Thimerosal
  • Musk Xylene
  • Phtalates
23 ingredientes bloqueados
  • Karanal
  • Benzophenones
  • Boric acid
  • Lilial, BHA
  • CI 26100
  • DMDM Hydantoin
  • Ethylhexyl methoxycinnamate
  • Lyral
  • Imidazolidinyl Urea
  • Isoamyl p-Methoxycinnamate
  • Methylchloroisothiazolinone + Methylisothiazolinone
  • Methylisothiazolinone
  • Nonoxynol-14 and analogues
  • Octamethylcyclotetrasiloxane (D4)
  • PFAS, Polyaminopropyl Biguanide
  • Polyethylene terephthalate
  • Red petrolatum
  • Sodium borate
  • TBHQ
  • Zinc Pyrithione
  • Ingredientes de origem animal
17 ingredientes restritos
  • BHT
  • Methyl salicylate
  • Polyethylene
  • Benzophenone
  • Benzophenone-1  Benzophenone-2
  • Carbon black
  • Titanium dioxide
  • Decamethylcyclopentasiloxane (D5)
  • Estragole
  • Glyoxal
  • Methyleugenol
  • Myrcene
  • Quartz ou Black Onyx
  • Safrole
  • Salicylic acid
  • Talc
12 ingredientes hot list
  • IPBC
  • Glyceryl hydrogenated rosinate ou Resin acids
  • Avobenzone
  • Phenoxyethanol
  • Octocrylene Homosalate
  • Diethylamino Hydroxybenzoyl Hexyl Benzoate
  • Mineral oil
  • Quaternary ammonium composts
  • Acrylates
  • Trisiloxane
  • Sulphates
Como os disruptores endócrinos funcionam?

Geralmente, um disruptor endócrino (DE) perturba o sistema endócrino imitando ou bloqueando um hormônio natural. No caso de imitação do hormônio, um DE pode “enganar” o receptor do hormônio, fazendo ele responder como se o DE fosse o hormônio, e isto pode inadequadamente ativar o receptor e acionar processos normalmente ati- vados apenas pelo hormônio natural.

No caso de bloqueadores hormonais, um DE pode ligar-se ao receptor de um hormônio, mas neste caso, o receptor é bloqueado e não pode ser ativado, mesmo na presença do hormônio natural.

O exemplo mais comum é a desregulação endócrina dos hormônios estrogênicos, que agem sobre os receptores do estrogênio do corpo (ERs). Tais substâncias também são chamadas de xenoestrógenos.  Em homens e mulheres, os ERs estão presentes em várias células no cérebro, nos ossos, nos tecidos vasculares e nos tecidos reprodutivos.

Embora os estrogênios sejam melhor conhecidos pelo seu papel na reprodução feminina, eles são igualmente importantes na reprodução masculina e também estão envolvidos em funções neurobiológicas, desenvolvimento e manutenção óssea, funções cardiovasculares, e em muitas outras funções.

Os estrogênios naturais exercem essas ações após serem liberados pela gônada (ovário-feminino ou testículo-masculino), ligando-se aos ERs nos tecidos-alvo. 

Os receptores do estrogênio não são os únicos que são alvos dos DEs, embora sejam os melhores estudados. Os receptores dos hormônios andrógenos (testosterona), progesterona, tireoide, e muitos outros sofrem interferência no seu funcio- namento por DEs.

Além disso, uma vez que DEs não são hormônios naturais, um único DE pode ter a capacidade de afetar múltiplas vias de sinalização hormonal. Assim sendo, é bastante provável que um tipo de DE possa interromper 2 (duas), 3 (três), ou mais funções endócrinas, com consequências generalizadas sobre vários processos biológicos, controlados por estas glândulas endócrinas vulneráveis a ação do DE.

Alguns destes DEs são persistentes e bioacumuláveis (isto é, estabelecem-se ao longo do tempo nos tecidos corporais).

Quando os seres humanos são testados para a comprovação da presença de DEs no sangue, na gordura, na urina e em outros tecidos, os resultados demonstram consistentemente, uma variedade de DEs em todos os indivíduos, e isso ocorre a nível mundial.

Estas ações refletem o contacto com os DEs através de alimentos, água, absorção cutânea e através da atmosfera.

A gordura é particularmente um reservatório importante dos DEs, uma vez que a composição destas substâncias químicas tende a torná-las lipossolúveis. 

Sabemos agora que exposições diretas de um indivíduo aos DEs causam uma variedade de problemas comportamentais, endócrinos e neurobiológicos. Assim, é necessário uma mudança de paradigma em como conduzir a avaliação de risco.

Conclusão: Não existe dose segura para os disruptores endócrinos

Atualmente, cada indivíduo no mundo carrega uma carga corporal de substâncias químicas que não existiam antes de 1940. Muitas outras continuam a ser produzidas e liberadas no meio ambiente, a cada ano. Testar as substâncias químicas uma de cada vez não acompanha o ritmo das exposições e não leva em consideração como as combinações químicas dentro do corpo afetam o desenvolvimento ou a saúde humana. O melhor que fazemos para a nossa saúde e longevidade é evitar o uso contínuo dessas substâncias.

  • Consumir água envasada de lençóis freáticos
  • Evitar alimentos com pesticidas
  • Preferir cosméticos naturais ou ao menos sem os componentes químicos listados

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Escrito pela Dra. Suellen Vieira Araujo

Confio na capacidade inata do corpo humano de curar-se. Este maravilhoso corpo humano, com uma mente inteligente e disciplinada, munida de conhecimento, será capaz de se manter saudável e equilibrado, sozinho, com autonomia e sustentabilidade.

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