Fadiga & Energia

Vitamina D injetável: quando é indicada na deficiência

A vitamina D é, na verdade, um hormônio — e suplementar por conta própria, em dose alta e sem monitoramento, tem risco real.
Dra. Suellen Vieira Araújo · 8 min de leitura
Principais causas de deficiência de vitamina D — Clínica de Longevidade

A vitamina D, que na verdade é um hormônio, tem múltiplas funções no corpo: tem ação anti-inflamatória e imunomoduladora e, justamente por atuar no sistema imune, ficou ainda mais conhecida durante a pandemia do coronavírus.

Ela é importante para o metabolismo ósseo e também atua nos sistemas cardiovascular, renal, digestivo, nervoso, endócrino e reprodutor.

Para a nossa longevidade, em pessoas saudáveis, sabemos que precisamos garantir nossa reserva de vitamina D, de preferência por métodos naturais, a partir da energia do sol e dos alimentos, preferencialmente entre 40 e 50 ng/mL. Contudo, a vitamina D prescrita em altas doses também exerce um efeito terapêutico nas pessoas que já estão doentes — e são crescentes os estudos que mostram que doses fisiológicas e até megadoses agem positivamente no tratamento de diversas doenças.

Como hoje qualquer pessoa compra vitamina D e suplementa sem prescrição, vale lembrar: a suplementação a longo prazo também tem riscos.

Por isso é importante realizar o monitoramento de biomarcadores relacionados à toxicidade e ao metabolismo da vitamina D.

Quem tem maior risco de deficiência de vitamina D?

Quem tem maior risco de estar carente de vitamina D são as pessoas que se enquadram nas situações abaixo:

  1. Pessoas que têm diminuição da conversão de vitamina D na pele, seja pela exposição solar reduzida ou pelo uso de filtro solar.
  2. Quem tem diminuição da biodisponibilidade da vitamina D, como nas doenças que interferem na absorção intestinal (doenças inflamatórias intestinais) ou na obesidade, em que a vitamina D fica armazenada na gordura.
  3. Gestantes e, principalmente, mulheres que estão amamentando, pois a demanda de vitamina D está alta devido à produção do leite.
  4. Pessoas que tomam medicamentos que interferem no metabolismo da vitamina D, como antiepilépticos, antirretrovirais e glicocorticoides.
  5. Portadores de doenças como tuberculose e sarcoidose, doença hepática e renal grave.

Estudos indicam que a deficiência de vitamina D está relacionada com câncer, doença cardiovascular, diabetes, obesidade, esclerose múltipla, distúrbios psiquiátricos e doenças neuromusculares.

No meu consultório tenho disponível para o paciente o teste rápido para deficiência de vitamina D. Esse teste é capaz de detectar valores sanguíneos inferiores a 30 ng/mL, e assim a terapia de reposição pode ser imediatamente prescrita.

No consultório, eu utilizo a suplementação de vitamina D por via oral ou intramuscular. A terapia injetável intramuscular garante uma maior biodisponibilidade do nutriente, sendo mais eficiente para acelerar a reposição em casos de deficiência.

Tabela com as principais causas de deficiência de vitamina D
As principais causas de deficiência de vitamina D.

Quais alimentos são fonte de vitamina D?

Apenas 20% da vitamina D vem da alimentação; o restante é gerado pela conversão de um derivado do colesterol em vitamina D, na pele. Isso a torna diferente das outras vitaminas lipossolúveis (A, E e K), cuja principal fonte é a alimentação. No entanto, em caso de deficiência, é importante considerar os riscos e benefícios de obter a vitamina D de origem animal. Exemplos de alimentos fonte: óleo de fígado de bacalhau, salmão, sardinha e cogumelo shiitake.

Alimentos que são fonte de vitamina D
Alimentos fonte de vitamina D.

Quais são os riscos e efeitos colaterais da suplementação

A suplementação de altas doses de vitamina D pode prejudicar, por exemplo, a função renal. Um estudo relata o caso de um homem que teve piora da função renal após suplementar de 8 a 12 mil unidades por dia durante mais de 2 anos.

A hipervitaminose D também aumenta o cálcio no sangue, o que eleva a chance de cálculos renais e arritmias.

Isso é um alerta para que quem esteja usando vitamina D informe ao seu médico, de modo que ele possa identificar potenciais danos à saúde relacionados à suplementação a longo prazo.

Onde isso se encaixa na árvore do Método Revitalize

Repor vitamina D é cuidar de uma raiz — mas só faz sentido depois de entender por que a reserva caiu, e com monitoramento que impeça a reposição de virar um novo problema.

Conheça a árvore completa do Método Revitalize →

Como é o tratamento da deficiência de vitamina D?

A dose prescrita depende do risco de deficiência, da idade do paciente e da doença diagnosticada. A dose inicial de vitamina D oral varia de 1.000 a 10.000 UI, idealmente em associação com outras vitaminas lipossolúveis, pois há efeito sinérgico. Por via intramuscular, a dose varia de 100.000 a 600.000 UI.

Como a vitamina D tem benefício na doença cardiovascular, na osteoporose, na obesidade e em doenças autoimunes, entre outras, o paciente com valores normais, mas no limite inferior da referência, ainda pode se beneficiar do tratamento complementar.

Na Clínica de Longevidade, a consulta de nutrologia é o serviço indicado para quem deseja tratar a deficiência de vitamina D, ou para quem já tem uma doença associada à deficiência do nutriente e deseja descobrir se há benefício no tratamento complementar.

A consulta de nutrologia pode ser feita presencialmente ou por telemedicina e contempla dois profissionais: uma consulta médica integrativa e uma consulta com nossa nutricionista. Na consulta médica, são solicitados exames de sangue, é feita a avaliação de fatores de risco para deficiência e, havendo sintomas compatíveis, já se inicia a prescrição de suplementação oral de vitamina D3.

A prescrição oral é mais eficiente quando manipulada em veículo oleoso, como azeite de oliva ou óleo de girassol, em gotas. Também é feita em associação com micronutrientes importantes para o metabolismo da vitamina D, como as vitaminas do complexo B e o magnésio.

Adicionalmente, como atitude sustentável, informamos métodos naturais de adquirir vitamina D a partir da exposição solar saudável e segura. Na avaliação nutricional, nossa nutricionista avalia a ingestão alimentar e auxilia o paciente a complementar a reposição a partir de uma dieta balanceada.

De acordo com a doença e a dosagem prescrita, o acompanhamento clínico e laboratorial deve ser realizado com intervalos entre 2 e 6 meses, enquanto for necessária a suplementação.

Vitamina D: como usar com segurança — Dra. Suellen Vieira Araújo.

Quais biomarcadores monitorar durante a suplementação?

Além de manter os níveis de vitamina D abaixo de 100 ng/mL, é importante avaliar a função do rim — incluindo a microalbuminúria em amostra isolada —, a função do fígado, e dosar o paratormônio, o cálcio ionizado e, principalmente em casos com história de cálculo renal, o cálcio urinário.

O monitoramento de biomarcadores como esses é um dos pilares da Clínica de Longevidade. É isso que minimiza os riscos e potencializa os benefícios de um tratamento com altas doses de vitamina D.

Está suplementando vitamina D por conta própria?

Vale entender se a dose faz sentido para o seu caso e o que precisa ser monitorado. O primeiro passo é gratuito.

Fazer minha avaliação online gratuita

Referências

  1. Intoxicação por vitamina D e lesão renal — Jornal Brasileiro de Nefrologia (SciELO)
  2. Vitamin D toxicity — CMAJ, 2019;191(14):E390

Vitamina D em dose alta sem monitoramento não é prevenção. É outro risco.

Fazer minha avaliação online gratuita